Hoje fiquei mais uma vez maravilhado com as façanhas que Annie Leonard pode fazer quando se trata de educação, mobilização e conscientização das pessoas sobre sustentabilidade.

Annie Leonard, criadora do documentário Story of Stuff (A história das coisas) e do Projeto Story of Stuff originário do sucesso do documentário, agora, em parceria com a pbs, desenvolveu o Loops Scoops. O Loop Scoops é um projeto que visa educar crianças de 6-10 anos sobre as coisas que rondam a sua vida, o mal que elas podem causar ao meio ambiente e maneiras de se divertir sem agredir o planeta. No momento, o Loop Scoops tem 8 videos prontos e que são geniais!

Aqui tem o link para uma matéria que fala um pouco mais sobre o Loop Scoops e tem também os videos (somente em inglês): http://ecolutionist.com/2010/10/20/loop-scoops-new-web-series-on-sustainability-for-kids-by-pbs-and-annie-leonard/

Aqui o link para o site do Story of Stuff Project: http://storyofstuff.com/

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Eu adoro ver pessoas com aquele bom e velho jargãozinho barato de libertário: “Agente vive numa sociedade democrática!”. Que piada de mal gosto. Vamos dar uma olhada no artigo 16º da  Lei 19/2003 de 20 de Junho da  nossa constituição:

Artigo 16.º
Receitas de campanha

1 – As actividades da campanha eleitoral só podem ser financiadas por:

a) Subvenção estatal;
b) Contribuição de partidos políticos que apresentem ou apoiem candidaturas às eleições para a Assembleia da República, para o Parlamento Europeu, para as Assembleias Legislativas Regionais e para as autarquias locais, bem como para Presidente da República;
c) Donativos de pessoas singulares apoiantes das candidaturas à eleição para Presidente da República e apoiantes dos grupos de cidadãos eleitores dos órgãos das autarquias locais;
d) Produto de actividades de angariação de fundos para a campanha eleitoral.

Onde mesmo que tá a parte da democracia nisso?
O que esse artigo quer dizer é que os partidos políticos podem investir em sua campanha eleitoral todo o dinheiro que eles conseguirem angariar, desde subvenção estatal à donativos pessoais. Agora me diga como você quer ter uma campanha politica democrática desse jeito?? O mínimo que eu poderia esperar de uma campanha eleitoral democrática seria dinheiro igual para todas as campanhas! Mas isso é o de menos. Dá uma olhadinha aqui que você vai ver como o buraco é mais embaixo: http://www.youtube.com/watch?v=ZgAQWDyWVm8&feature=related

Aí agente começa a passar pelos debates vazios focados em ataques sobre defesa do aborto. Hoje Serra (criador em 2007 de medidas de promoção do aborto) ataca Dilma por defender o aborto. Esta, por sua vez, deixa de defender o aborto depois de perceber que a maioria da população brasileira é contra o aborto (pelo menos até que sua filha de 15 anos engravide). Depois chegamos às campanhas do segundo turno e primeira coisa que os candidatos fazem é apelar para a “religiosidade do povo brasileiro” que, trocando em miúdos, significam 19,33% dos votos em Marina. Por fim nós temos uma mídia completamente parcial e anti-democrática sendo a fonte “confiável” de informações para boa parte da população. Nosso quadro político não é dos melhores.

É isso aí meu amigo, espero não encontrar você no dia de eleição me perguntando: “Tá indo exercer o seu direito como cidadão?”.

“Toda forma de poder é uma forma de morrer por nada.” – Humberto Gessinger

L’Humanisphère

outubro 24, 2010

Neste parlamento da anarquia, cada qual é seu próprio representante e par de seus camaradas. Oh, ŕ muito diferente do que ocorre entre os civilizados; não se faz peroração, não se debate, não se vota, não se legisla, mas todos, velhos e jovens, homens e mulheres, discutem em comum as necessidades da humanisfera. è a própria iniciativa de cada indivíduo que lhe concede ou recusa o discurso, conforme ele julgue útil ou não falar. (…) A lei jamais é feita pela maioria ou pela minoria. Se uma questão exige a adesão de uma quantidade suficiente de trabalhadores para ser colocada em prática, constituam eles a maioria ou a minoria, ela será realizada, contanto que esteja de acordo com a vontade daqueles que a apoiam. E comumente acontece que a maioria reúne-se à minoria, ou a minoria à maioria… cada qual rendendo-se à atração de ver-se unida aos demais.
A solidariedade natural, em outras palavras, torna-se a força estimulante e concordante da humanisfera, tal como surge no mundo divisado por todos os anarqu9istas. Verdade que existirá um departamento administrativo em cada humanisfera, mas “sua única autoridade é o livro das estatísticas.” Assim como cada indivíduo seŕ aseu senhor em carda particular, também cada humanisfera será autônoma, e o único elemento relacional entre as diversas comunidades será o econômico, baseado na troca de produtos. Mas essa troca, de alguma forma, será livre, originando-se na benevolência universal e não levando em conta obrigações.
A troca ocorre naturalmente, não arbitrariamente,. Desse modo, uma esfera humana poderá um dia dar mais e receber menos; isso tem pouca importância, pois noutro dia sem dúvida receberá mais e dará menos.

Joseph Déjacque – L’Humanisphère

Obs: trecho tirado do livro “História das idéias e movimentos anarquistas (George Woodcock)”

SWU – Fucks with you

outubro 13, 2010

Neste final de semana aconteceu na Fazenda Maeda na cidade de Itu/SP o que foi um dos maiores eventos musicais do Brasil: o SWU (Starts With You). O SWU é um festival de música que tem como tema a proteção do planeta e o desenvolvimento sustentável, daí vem o slogan “Starts with you” (Começa com você) que incentiva as pessoas a tomarem a iniciativa na proteção do planeta. Como eu não podia deixar de assistir o Queens of The Stone Age e o Pixies ao vivo e no Brasil, eu fui.

SWU – Starts with trash
Chegando lá a primeira coisa que me chamou a atenção não foi a incrível vista que a Fazenda Maeda podia me proporcionar, mas sim um lindo e  amplo campo coberto de lixo. Desde papeis de bala a garrafas de vinho. Não era isso que eu esperava de um evento que incentiva a sustentabilidade, mas tudo bem, afinal, eles não podem controlar que tipo de pessoas irá para lá. Passados mais alguns minutos eu percebi o porque daquela situação. Do lado de fora da entrada do evento não tinha latas lixo. Mas tudo bem, eles disseram que o “evento” é sobre sustentabilidade, não tinha nada dizendo sobre o espaço fora do evento né…  ¬¬

SWU – Steals from you
Passado o primeiro impacto, eu voltei ao meu estado de otimismo (eu iria ver QOTSA no final da noite!) e segui na fila até a minha vez de entrar (vamos deixar de lado as pessoas que furavam fila sem o menor peso na consciência, que podiam não estar jogando lixo no planeta, mas as suas simples existência já era bem pior do que todo o lixo que elas poderiam ter jogado…). Na hora de entrar fiquei sabendo que não podia entrar com NENHUM tipo de comida ou bebida. Eu, ingenuamente, acreditei que quando ele falou “bebida” referia-se a bebidas alcoólicas, mas não. Você não podia entrar nem mesmo com uma garrafa madeira com água e um sanduíche natural. “Vamos lá pessoal! Jogando tudo que vocês trouxeram fora!!”
É, pelo jeito nós vamos ter que comprar comida lá dentro obrigatoriamente já que a Fazenda Maeda fica alguns quilômetros isolada de tudo. Cheguei lá esperando encontrar várias comidas saudáveis, naturais e, de repente, feitas pelos próprios moradores da região para servir como exemplo de Economia Solidária, mas o que eu encontro? Hamburguer, Cachorro-quente, pizza, … Peraí velho, quando foi mesmo que as industrias deixaram de ser o principal fator de destruição do planeta? Acho que esqueceram de me avisar. Bem, de qualquer forma eu estava morrendo de fome e sede, então fui até o balcão:
— Moço, quanto é uma água?
— R$4,00.
— Nossa (o.o’) ! Deixa pra lá, me dá um cachorro quente simples mesmo…
— Fica R$8,00, senhor.
— Não, eu falei um “cachorro quente simples”!   ^^
— Fica R$8,00, senhor.
“Extorsão
é o ato de obrigar alguém a fazer ou deixar de fazer alguma coisa, por meio de ameaça ou violência, com a intenção de obter vantagem, recompensa ou lucro.” – http://pt.wikipedia.org/wiki/Extorsão
Eu queria saber que parte da definição de extorsão fazia com que aquilo não fosse crime. Bem, talvez seja a parte que fala de violência, porque ameaça com certeza não foi já que antes de entrar eu fui ameaçado de perder meu ingresso se eu levasse alguma comida. Pra fechar com chave de ouro todas as garrafas e copos de plástico vendidos no evento não eram reutilizáveis, ou seja, toda água ou refrigerante que alguém comprasse exigiria a utilização de uma nova garrafa que só tem 51% de potencial de reciclagem.

Swu – Starts with marketing
Dando uma volta lá dentro encontrei alguns estandes de patrocinadores do evento e fiquei mais uma vez abismado ao encontrar patrocinadores como Oi, Coca-Cola, Heineken, Nestlé … show de sustentabilidade!
Pra não dizer que não teve nada de sustentabilidade, lá dentro eles colocaram um espaço para um fórum com discussões sobre o tema (que, diga-se de passagem, era menor do que o palco secundário ou a tenda pra música eletrônica).

SWU foi na verdade uma ótima maneira de ganhar dinheiro  fazendo marketing da destruição do planeta. Se teve realmente algum caráter de sustentabilidade no festival foi a sustentabilidade da riqueza da organização do evento…