Vida

fevereiro 9, 2011

Há momentos em que a vida parece triste.
Simplesmente seguindo desgovernada a algum lugar vazio.
Sem receio do futuro, nem vergonha do passado.
Repetida em ciclos previsíveis onde as pessoas se destroem.
Pessoas tão grandes dentro de si, que não veem o quão pequenas são no mundo.
Pessoas decididas a ganhar o mundo que não tem dono.
Pessoas que são permitidas pelas estatuas caminhantes que vivem.
Só vivem.
Pagam suas dividas e vendem aos poucos as suas almas até a morte esperada.
Vazias de esperanças ou sonhos.
Talvez, de repente, alguns planos sem conclusão.
Corrompidas por suas próprias corrupções e fragmentadas em pedaços sem direção.
Perdidas em crises emocionais e surtos psicológicos.
Estagnam seu redor.
Sua vida.
Nosso mundo.

E às vezes parece não ter mais jeito.
Parece que a vida se perdeu.
Ou talvez nunca tenha se encontrado.
Parece que o vazio de dentro é tão infinito quanto a tristeza de fora.
Ou talvez maior.
Parece que sentir é por demais sentido.

É quando sinto isso que eu consigo ver.
Ver o mundo de dentro da sua sujeira.
Ver a vida de dentro da sua tristeza.
E num simples sorriso de uma criança, eu sinto o poder do vazio.
Sinto como sua vastidão e inexistência transcendem o valor de uma mínima existência dentro de si.
Compreendo o significado mais puro da parcela mais atômica de um todo.
E fundido de minha compreensão exacerbada e superestimada do vasto infinito, percebo que no fundo dos nossos corações crepitados de hipocrisia, existe uma ingênua criança banhada de alegria numa busca sincera pela borboleta que voa direto para um efêmero, mas morno, raio de sol.

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