O que você vê quando olha para uma multidão de pessoas? Se você respondeu: “Uma multidão de pessoas?!”.
Sim, você está certo! =D

Agora se você olhar para somente uma pessoa? O que você pode ver?
Você pode, primeiramente, observar traços mais superficiais. As características físicas dessa pessoa, suas roupas, seus pertences, sua casa. Podemos partir para imaginar algo mais profundo, seu perfil e suas características. Apressado, calmo, confiante, sábio. Distante, tarado, feliz, compenetrado. Mas não pára por aí. Você pode pensar em como seria a vida daquela pessoa. Aí você imagina a vida pessoal dela, o trabalho, os sonhos, tristezas, decepções. Imagina o que ela esta indo fazer naquele momento. O que ela acabou de pensar. O que ela acha de você, da pessoa do seu lado, do ônibus, da sociedade, da vida, do mundo. O que ela gosta ou não gosta de fazer. E tudo mais que você conseguir pensar.
No final de todo esse conhecimento “cartomântico” que desenvolvido sobre essa pessoa, você com certeza estará cansado e abismado com o tamanho da complexidade da vida dela. Mas não se esqueça, essa pessoa que você pensou é somente uma pessoa gerada da sua imaginação e ainda assim não chega nem perto de toda a informação que uma pessoa de verdade possui em sua vida.
Agora imagine todas pessoas que você poderia criar, todas que realmente existem e todas as que todas as pessoas que realmente existem podem gerar das suas próprias imaginações. É um nível tão apocalíptico de possibilidades que é mais do que suficiente para estourar seus neurônios e nós não estamos falando nem do chulé de todas as possibilidades. É nesse momento que você pensa: “É…a vida é complexa e, definitivamente, não existem pessoas iguais”. Agora imagine você considerar todas essa imensidão de informação que pode estar contida em uma vida para todas as pessoas com quem você interage no seu dia-a-dia. Não dá.

O fato é: você não vê as pessoas como elas realmente são. É por isso que quando você olha para uma multidão, você vê uma multidão. Simplesmente porque seu cérebro não conseguiria lidar com toda essa quantidade de informação. Mas isso em si não é um problema. O problema está no fato de que as pessoas pensam, ingenuamente, que veem os outros realmente como são. E isso é fonte de muitos conflitos sociais, simplesmente pelo fato de pessoas serem reduzidas ao rótulo “pessoa” quando dentro delas existe um universo muito mais complexo.

“Mas e aí? Você quer que eu veja cada pessoa como todo o emaranhado cosmonáutico da sua vida?”
Não. Mas tenha consciência de que você não vê uma pessoa como ela realmente é. Isso é fundamental para a compreensão do outro.
Durante a vida cotidiana nós somos postos na posição de juiz e réu incessantemente e julgamos e somos julgados pelos outros simplesmente pelo rótulo de “pessoa” que nós carregamos na testa. Mas os nossos atos são consequências de todo um conjunto assustadoramente complexo de informações que se confrontam e combinam em resultados que nem mesmo nós temos consciência de todo o processo de produção. E quando se recebe o papel de juiz, é preciso ter consciência disso. É preciso perceber que nós na verdade não sabemos tanto assim do outro (na verdade quase nada). E que considerando a quantidade de coisas que nós sabemos sobre uma pessoa dividido por tudo que ela realmente é tende a zero. Somente nesse momento você poderá estar livre de todas as discriminações. Somente nesse momento você irá estar livre de todos os preconceitos.

Agora é que vem a pior parte.
O que nós tiramos disso tudo é algo bem doloroso de se ouvir.
Por mais aterrador e paradoxal que possa parecer, o mais alto nível de compreensão do outro se dá quando você compreende que você não compreende nada sobre ele e o respeita simplesmente por não poder julga-lo.

A verdade é que se nós pudéssemos olhar por dentro da máquina do universo, todas as ações se tornariam meras tautologias.

Anúncios