Hoje fiquei mais uma vez maravilhado com as façanhas que Annie Leonard pode fazer quando se trata de educação, mobilização e conscientização das pessoas sobre sustentabilidade.

Annie Leonard, criadora do documentário Story of Stuff (A história das coisas) e do Projeto Story of Stuff originário do sucesso do documentário, agora, em parceria com a pbs, desenvolveu o Loops Scoops. O Loop Scoops é um projeto que visa educar crianças de 6-10 anos sobre as coisas que rondam a sua vida, o mal que elas podem causar ao meio ambiente e maneiras de se divertir sem agredir o planeta. No momento, o Loop Scoops tem 8 videos prontos e que são geniais!

Aqui tem o link para uma matéria que fala um pouco mais sobre o Loop Scoops e tem também os videos (somente em inglês): http://ecolutionist.com/2010/10/20/loop-scoops-new-web-series-on-sustainability-for-kids-by-pbs-and-annie-leonard/

Aqui o link para o site do Story of Stuff Project: http://storyofstuff.com/

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L’Humanisphère

outubro 24, 2010

Neste parlamento da anarquia, cada qual é seu próprio representante e par de seus camaradas. Oh, ŕ muito diferente do que ocorre entre os civilizados; não se faz peroração, não se debate, não se vota, não se legisla, mas todos, velhos e jovens, homens e mulheres, discutem em comum as necessidades da humanisfera. è a própria iniciativa de cada indivíduo que lhe concede ou recusa o discurso, conforme ele julgue útil ou não falar. (…) A lei jamais é feita pela maioria ou pela minoria. Se uma questão exige a adesão de uma quantidade suficiente de trabalhadores para ser colocada em prática, constituam eles a maioria ou a minoria, ela será realizada, contanto que esteja de acordo com a vontade daqueles que a apoiam. E comumente acontece que a maioria reúne-se à minoria, ou a minoria à maioria… cada qual rendendo-se à atração de ver-se unida aos demais.
A solidariedade natural, em outras palavras, torna-se a força estimulante e concordante da humanisfera, tal como surge no mundo divisado por todos os anarqu9istas. Verdade que existirá um departamento administrativo em cada humanisfera, mas “sua única autoridade é o livro das estatísticas.” Assim como cada indivíduo seŕ aseu senhor em carda particular, também cada humanisfera será autônoma, e o único elemento relacional entre as diversas comunidades será o econômico, baseado na troca de produtos. Mas essa troca, de alguma forma, será livre, originando-se na benevolência universal e não levando em conta obrigações.
A troca ocorre naturalmente, não arbitrariamente,. Desse modo, uma esfera humana poderá um dia dar mais e receber menos; isso tem pouca importância, pois noutro dia sem dúvida receberá mais e dará menos.

Joseph Déjacque – L’Humanisphère

Obs: trecho tirado do livro “História das idéias e movimentos anarquistas (George Woodcock)”

Bem, hoje eu, por sorte (valeu Aurium!), vi sendo citado em um vídeo um experimento interessantíssimo chamado de “Asch Conformity Experiment“.  Além do link, tem também um vídeo (http://www.youtube.com/watch?v=TYIh4MkcfJA) que explica e mostra o experimento sendo realizado.

Depois dele, decidi tirar o dia para pesquisar um pouco sobre os distúrbios causados pela sociedade na nossa cabeça e na nossa maneira de agir e o resultado que eu tive foi surpreendente. Segue para vocês uma breve compilação dos mais variados distúrbios sociais gerados pelo nosso “saudável” modelo de convivência. Vale muito a pena ver todos.

  1. Milgram Experiment (http://www.youtube.com/watch?v=BcvSNg0HZwk)
  2. Forer Effect (http://www.youtube.com/watch?v=haP7Ys9ocTk)
  3. Spiral of Silence
  4. Bandwagon Effect
  5. Agenda Setting Theory (http://www.youtube.com/watch?v=gbCYr-U7MAQ&feature=related)
  6. Bystander Effect (http://www.youtube.com/watch?v=KIvGIwLcIuw)

E pra fechar com chave de ouro: http://www.youtube.com/watch?v=OsFEV35tWsg&feature=rec-LGOUT-real_rev-rn-1r-27-HM

Depois de ver tudo isso eu me convenci ainda mais de que há dentro de nós muito menos de nós do que podemos conceber e que talvez o “eu” que nós achamos existir seja apenas mais uma consequência do universo.
Talvez no fundo nós sejamos nada. Ou tudo, como preferir. Mas não um.

“Do you believe in your head?” – Go with the Flow / Queens of the Stone Age
“Where is my mind?” – Where is my Mind / Pixies

Cultura é um conjunto de definições, conhecimentos e hábitos que são passados de geração em geração a fim de facilitar a vida cotidiana.

Eu deveria estar feliz por ter minha cabeça bombardeada de informações sobre o mundo desde quando eu nem tinha capacidade de entender porque elas deviam ser assim e, portanto, poder andar pela rua sem que a cada passo duvidasse da solidez do chão a ser pisado. Mas não estou.

Hoje me incomodam mais as marcas irremovíveis de cultura deixadas em minha cabeça que vão de encontro com minhas próprias convicções do que seria a dúvida da  solidez do chão.
Não é uma questão de não ter opinião própria, mas sim um esforço constante e irredutível de ter que reprimir os impulsos culturais da cabeça baseado nos julgamentos racionais da mente.

É você olhar para uma modelo e achar ela bonita do fundo do seu coração, mesmo sabendo que aquele estado não é saudável para qualquer corpo humano.
É, por pura possessividade e egocentrismo, se sentir ofendido e magoado por imaginar seu amor se relacionando com outra pessoa , mesmo sabendo que esses sentimentos envenenam sua alma e que ela está sendo feliz em fazer isso.
É você sentir vergonha de ficar nu mesmo sabendo que assim você veio ao mundo e viveu muitos momentos felizes na sua infância por estar assim.

Mas pior que tudo isso, não é essa luta constante com o lixo atolado em sua cabeça, mas sim a realização a cada dia da extrema dificuldade que é remover esse conhecimento embutido.

“É você se olhar no espelho
Se sentir um grandessíssimo idiota
Saber que é humano, ridículo
limitado, e que só usa dez por cento
de sua cabeça animal.”
Ouro de Tolo – Raul Seixas

Eu entendo que existem definições que apesar de infundadas são importantes e não fazem mal algum. Note que o vermelho é a cor do amor e graças estes tipos de definições  nós conseguimos interagir uns com os outros e sentir o mais variado ramo de sentimentos e , afinal, esse é um dos grandes objetivos da vida.

Eu não proclamo que as flores deixem de ser bonitas, nem que a pomba deixe de  ser o símbolo da paz, mas, simplesmente, que o certo deixe de ser errado.