Vida

fevereiro 9, 2011

Há momentos em que a vida parece triste.
Simplesmente seguindo desgovernada a algum lugar vazio.
Sem receio do futuro, nem vergonha do passado.
Repetida em ciclos previsíveis onde as pessoas se destroem.
Pessoas tão grandes dentro de si, que não veem o quão pequenas são no mundo.
Pessoas decididas a ganhar o mundo que não tem dono.
Pessoas que são permitidas pelas estatuas caminhantes que vivem.
Só vivem.
Pagam suas dividas e vendem aos poucos as suas almas até a morte esperada.
Vazias de esperanças ou sonhos.
Talvez, de repente, alguns planos sem conclusão.
Corrompidas por suas próprias corrupções e fragmentadas em pedaços sem direção.
Perdidas em crises emocionais e surtos psicológicos.
Estagnam seu redor.
Sua vida.
Nosso mundo.

E às vezes parece não ter mais jeito.
Parece que a vida se perdeu.
Ou talvez nunca tenha se encontrado.
Parece que o vazio de dentro é tão infinito quanto a tristeza de fora.
Ou talvez maior.
Parece que sentir é por demais sentido.

É quando sinto isso que eu consigo ver.
Ver o mundo de dentro da sua sujeira.
Ver a vida de dentro da sua tristeza.
E num simples sorriso de uma criança, eu sinto o poder do vazio.
Sinto como sua vastidão e inexistência transcendem o valor de uma mínima existência dentro de si.
Compreendo o significado mais puro da parcela mais atômica de um todo.
E fundido de minha compreensão exacerbada e superestimada do vasto infinito, percebo que no fundo dos nossos corações crepitados de hipocrisia, existe uma ingênua criança banhada de alegria numa busca sincera pela borboleta que voa direto para um efêmero, mas morno, raio de sol.

Formas de se viver

novembro 28, 2010

Bem, lá vai mais um sobre a vida. E na verdade é mais um desabafo do que uma obra literária. Esse vai sem revisão! ^^

Hoje eu vi um filme que me fez pensar sobre a vida. Mais uma vez.

Ele me fez pensar sobre as formas de se viver a vida. E esse filme me mostrou uma vida muita confusa, aleatória e indigerível. Um verdadeiro Frankstein de como a vida pode acontecer. Mas o que mais me espantou não foi o choque entre a minha expectativa e o que o filme me mostrava, mas sim como no final das contas aquilo tudo fazia sentido. O que realmente me espantou foi como peças de quebra-cabeças diferentes podiam fazer sentido mesmo sem se encaixar.

Isso me fez pensar em como o mundo nos força a vivermos nossas vidas de uma determinada maneira. E isso está tão bem inserido em nossa cabeça que na maior parte do tempo parece ser algo realmente nosso. Quase como se fosse uma ideia sua entrelaçada perfeitamente dentro da mente. Desenvolvida perspicazmente pela sua experiência e conhecimento. Na verdade não passa de uma variação da mesma definição camuflada pela nossa carência de especialidade, unicidade e exclusividade no universo.

Comecei a pensar que a vida, em primeiro lugar, é algo realmente muito estranho. É tão fácil dizer o que é a minha cadeira, mas é tão difícil dizer o que é a vida. Talvez nem seja algo que possa ser expresso. Volta e meia nós vemos filósofos por aí questionando todos os aspectos dela e não chegando a lugar nenhum.
E no final de tudo isso nós nos achamos no direito de definir maneiras de se viver.
A parte realmente triste nessa nossa prepotência ao definir formas de se viver é que cada definição não passa de mais uma definição sem critério e que fará com todos aqueles que não vivem daquela forma passem a sofrer com sua atual forma de vida e busquem incessantemente viver tal qual essa nova definição, fazendo com que, no final das contas, essas pessoas vivam suas vidas em uma busca pelo nada.
Me lembro de diversos momentos em que eu critiquei as mais diversas formas de vida e agora sinto como se nada do que eu falei fizesse algum sentido.

E por mais que eu tente ver o contrário, as únicas coisas que parecem coerentes pra mim são:
Ninguém deve ser obrigado a viver de forma alguma.
Toda forma de se viver é válida desde que esta esteja em sintonia com seu motorista e respeite todas as demais formas de vida.

Existem as pessoas que dizem compreender a vida e existem pessoas que dizem que está não pode ser compreendida. Qual dos lados está certo? Pra mim, os dois…

Hoje fiquei mais uma vez maravilhado com as façanhas que Annie Leonard pode fazer quando se trata de educação, mobilização e conscientização das pessoas sobre sustentabilidade.

Annie Leonard, criadora do documentário Story of Stuff (A história das coisas) e do Projeto Story of Stuff originário do sucesso do documentário, agora, em parceria com a pbs, desenvolveu o Loops Scoops. O Loop Scoops é um projeto que visa educar crianças de 6-10 anos sobre as coisas que rondam a sua vida, o mal que elas podem causar ao meio ambiente e maneiras de se divertir sem agredir o planeta. No momento, o Loop Scoops tem 8 videos prontos e que são geniais!

Aqui tem o link para uma matéria que fala um pouco mais sobre o Loop Scoops e tem também os videos (somente em inglês): http://ecolutionist.com/2010/10/20/loop-scoops-new-web-series-on-sustainability-for-kids-by-pbs-and-annie-leonard/

Aqui o link para o site do Story of Stuff Project: http://storyofstuff.com/

L’Humanisphère

outubro 24, 2010

Neste parlamento da anarquia, cada qual é seu próprio representante e par de seus camaradas. Oh, ŕ muito diferente do que ocorre entre os civilizados; não se faz peroração, não se debate, não se vota, não se legisla, mas todos, velhos e jovens, homens e mulheres, discutem em comum as necessidades da humanisfera. è a própria iniciativa de cada indivíduo que lhe concede ou recusa o discurso, conforme ele julgue útil ou não falar. (…) A lei jamais é feita pela maioria ou pela minoria. Se uma questão exige a adesão de uma quantidade suficiente de trabalhadores para ser colocada em prática, constituam eles a maioria ou a minoria, ela será realizada, contanto que esteja de acordo com a vontade daqueles que a apoiam. E comumente acontece que a maioria reúne-se à minoria, ou a minoria à maioria… cada qual rendendo-se à atração de ver-se unida aos demais.
A solidariedade natural, em outras palavras, torna-se a força estimulante e concordante da humanisfera, tal como surge no mundo divisado por todos os anarqu9istas. Verdade que existirá um departamento administrativo em cada humanisfera, mas “sua única autoridade é o livro das estatísticas.” Assim como cada indivíduo seŕ aseu senhor em carda particular, também cada humanisfera será autônoma, e o único elemento relacional entre as diversas comunidades será o econômico, baseado na troca de produtos. Mas essa troca, de alguma forma, será livre, originando-se na benevolência universal e não levando em conta obrigações.
A troca ocorre naturalmente, não arbitrariamente,. Desse modo, uma esfera humana poderá um dia dar mais e receber menos; isso tem pouca importância, pois noutro dia sem dúvida receberá mais e dará menos.

Joseph Déjacque – L’Humanisphère

Obs: trecho tirado do livro “História das idéias e movimentos anarquistas (George Woodcock)”

Bem, hoje eu, por sorte (valeu Aurium!), vi sendo citado em um vídeo um experimento interessantíssimo chamado de “Asch Conformity Experiment“.  Além do link, tem também um vídeo (http://www.youtube.com/watch?v=TYIh4MkcfJA) que explica e mostra o experimento sendo realizado.

Depois dele, decidi tirar o dia para pesquisar um pouco sobre os distúrbios causados pela sociedade na nossa cabeça e na nossa maneira de agir e o resultado que eu tive foi surpreendente. Segue para vocês uma breve compilação dos mais variados distúrbios sociais gerados pelo nosso “saudável” modelo de convivência. Vale muito a pena ver todos.

  1. Milgram Experiment (http://www.youtube.com/watch?v=BcvSNg0HZwk)
  2. Forer Effect (http://www.youtube.com/watch?v=haP7Ys9ocTk)
  3. Spiral of Silence
  4. Bandwagon Effect
  5. Agenda Setting Theory (http://www.youtube.com/watch?v=gbCYr-U7MAQ&feature=related)
  6. Bystander Effect (http://www.youtube.com/watch?v=KIvGIwLcIuw)

E pra fechar com chave de ouro: http://www.youtube.com/watch?v=OsFEV35tWsg&feature=rec-LGOUT-real_rev-rn-1r-27-HM

Depois de ver tudo isso eu me convenci ainda mais de que há dentro de nós muito menos de nós do que podemos conceber e que talvez o “eu” que nós achamos existir seja apenas mais uma consequência do universo.
Talvez no fundo nós sejamos nada. Ou tudo, como preferir. Mas não um.

“Do you believe in your head?” – Go with the Flow / Queens of the Stone Age
“Where is my mind?” – Where is my Mind / Pixies

Ouvir a vida

setembro 23, 2010

As vezes agente quer mudar tudo.
As vezes agente quer ficar quieto.
As vezes agente quer fazer barulho.
As vezes agente quer ouvir o vento.

Agora eu me sinto tão calmo.
Talvez eu nem me lembre mais desse sentimento amanhã,
Mas se não o fizer, o que se pode fazer?
É como as coisas são.

Nem tudo é como agente espera.
Mas talvez a culpa seja da nossa esperança
E não do desenrolar das cordas.

É como ouvir uma boa música no momento errado.
Ou encontrar com a pessoa errada no lugar certo.
Nem sempre o certo é o certo.

Por isso hoje eu quero escutar a vida.
Quero absorver tudo que ela tem a dizer.
Bom ou ruim. Simplesmente ouvir.
E deixar as coisas seguirem da maneira que elas quiserem.

Talvez tudo agora não faça sentido.
Mas está tudo bem.
O que importa é que seja verdadeiro.
Não na máquina da verdade da natureza,
Mas no colchão velho do seu coração.

É triste pensar que agora o mundo se acaba
E mesmo assim eu estou tão calmo.

Salto para o amanhã

setembro 10, 2010

Meu presente está preenchido de pessoas do passado com sorrisos amarelos para colorir o vazio.
Minha vida não passa de um outono que preludia um inverno que nunca chega.
Tento perceber a diferença nas horas, mas os segundos não passam.
De repente, o ar invade o meu peito e dos meus olhos brota uma dor descabida.
Então, em um momento de certeza num universo desmontado,
Pela lembrança do que é viver,
Uma decisão heroica leva ao salto para o amanhã.
Durante a queda, o quebra-cabeça de uma vida, num instante, passa a fazer sentido.
E o arrependimento desesperado surge no lugar da coragem.
A volta não se mostra mais uma saída como costumava ser.
Mas tão rápido quanto a agonia, surge a plenitude.
E nesse momento, apesar de triste, uma gota de vida se espalha no espaço.
Só se perde quando se tem.
E mesmo já tendo perdido, a certeza da existência apazígua meu espirito.
Agora sim o tempo passa, apesar de rápido demais.
Mas apesar de tudo, algo ainda me incomoda.
Talvez seja só o vento no meu ouvido.

Cultura é um conjunto de definições, conhecimentos e hábitos que são passados de geração em geração a fim de facilitar a vida cotidiana.

Eu deveria estar feliz por ter minha cabeça bombardeada de informações sobre o mundo desde quando eu nem tinha capacidade de entender porque elas deviam ser assim e, portanto, poder andar pela rua sem que a cada passo duvidasse da solidez do chão a ser pisado. Mas não estou.

Hoje me incomodam mais as marcas irremovíveis de cultura deixadas em minha cabeça que vão de encontro com minhas próprias convicções do que seria a dúvida da  solidez do chão.
Não é uma questão de não ter opinião própria, mas sim um esforço constante e irredutível de ter que reprimir os impulsos culturais da cabeça baseado nos julgamentos racionais da mente.

É você olhar para uma modelo e achar ela bonita do fundo do seu coração, mesmo sabendo que aquele estado não é saudável para qualquer corpo humano.
É, por pura possessividade e egocentrismo, se sentir ofendido e magoado por imaginar seu amor se relacionando com outra pessoa , mesmo sabendo que esses sentimentos envenenam sua alma e que ela está sendo feliz em fazer isso.
É você sentir vergonha de ficar nu mesmo sabendo que assim você veio ao mundo e viveu muitos momentos felizes na sua infância por estar assim.

Mas pior que tudo isso, não é essa luta constante com o lixo atolado em sua cabeça, mas sim a realização a cada dia da extrema dificuldade que é remover esse conhecimento embutido.

“É você se olhar no espelho
Se sentir um grandessíssimo idiota
Saber que é humano, ridículo
limitado, e que só usa dez por cento
de sua cabeça animal.”
Ouro de Tolo – Raul Seixas

Eu entendo que existem definições que apesar de infundadas são importantes e não fazem mal algum. Note que o vermelho é a cor do amor e graças estes tipos de definições  nós conseguimos interagir uns com os outros e sentir o mais variado ramo de sentimentos e , afinal, esse é um dos grandes objetivos da vida.

Eu não proclamo que as flores deixem de ser bonitas, nem que a pomba deixe de  ser o símbolo da paz, mas, simplesmente, que o certo deixe de ser errado.

Velho Lobo

junho 28, 2010

Ultimamente muitas coisas têm me incomodado.
Não por estarem ruins ou boas, mas por serem como são.
E sinto meu espirito jovem já muito cansado de criticar o seu mundo ao redor.

Já se passaram muitas batalhas e ao fim de cada uma delas não pude ver o que se ganhou ou o que realmente se perdeu.
Tudo sempre foi como correr numa esteira.
Nada mudava de lugar, só que ainda existia um propósito na corrida.

Mas agora o caminho muito já se encurtou e no lugar do horizonte infinito jaz uma muralha implacável de pedras.
Em alguns momentos ela é assustadora, noutros tranquilizante, mas na maior parte do tempo, simplesmente é.

Ainda assim, não consigo fechar os olhos da minha mente e aceitar o cansaço do meu espirito.
Já era a hora de saber a resposta para todas as coisas da vida ou pelo menos as respostas para a minha vida.
Quem sabe ao menos alguma resposta.

Pois é justamente essa falta de compreensão avassaladora que me bombeia de um sentimento de calmaria e consciência.
Quase como se fosse possível sentir a compreensão absoluta e entrar em equilíbrio com o universo.

Hahaha.

Talvez seja a idade.
Talvez eu esteja velho demais para o mundo…
Talvez ele esteja velho demais para mim.