Ouvir a vida

setembro 23, 2010

As vezes agente quer mudar tudo.
As vezes agente quer ficar quieto.
As vezes agente quer fazer barulho.
As vezes agente quer ouvir o vento.

Agora eu me sinto tão calmo.
Talvez eu nem me lembre mais desse sentimento amanhã,
Mas se não o fizer, o que se pode fazer?
É como as coisas são.

Nem tudo é como agente espera.
Mas talvez a culpa seja da nossa esperança
E não do desenrolar das cordas.

É como ouvir uma boa música no momento errado.
Ou encontrar com a pessoa errada no lugar certo.
Nem sempre o certo é o certo.

Por isso hoje eu quero escutar a vida.
Quero absorver tudo que ela tem a dizer.
Bom ou ruim. Simplesmente ouvir.
E deixar as coisas seguirem da maneira que elas quiserem.

Talvez tudo agora não faça sentido.
Mas está tudo bem.
O que importa é que seja verdadeiro.
Não na máquina da verdade da natureza,
Mas no colchão velho do seu coração.

É triste pensar que agora o mundo se acaba
E mesmo assim eu estou tão calmo.

Salto para o amanhã

setembro 10, 2010

Meu presente está preenchido de pessoas do passado com sorrisos amarelos para colorir o vazio.
Minha vida não passa de um outono que preludia um inverno que nunca chega.
Tento perceber a diferença nas horas, mas os segundos não passam.
De repente, o ar invade o meu peito e dos meus olhos brota uma dor descabida.
Então, em um momento de certeza num universo desmontado,
Pela lembrança do que é viver,
Uma decisão heroica leva ao salto para o amanhã.
Durante a queda, o quebra-cabeça de uma vida, num instante, passa a fazer sentido.
E o arrependimento desesperado surge no lugar da coragem.
A volta não se mostra mais uma saída como costumava ser.
Mas tão rápido quanto a agonia, surge a plenitude.
E nesse momento, apesar de triste, uma gota de vida se espalha no espaço.
Só se perde quando se tem.
E mesmo já tendo perdido, a certeza da existência apazígua meu espirito.
Agora sim o tempo passa, apesar de rápido demais.
Mas apesar de tudo, algo ainda me incomoda.
Talvez seja só o vento no meu ouvido.

Cultura é um conjunto de definições, conhecimentos e hábitos que são passados de geração em geração a fim de facilitar a vida cotidiana.

Eu deveria estar feliz por ter minha cabeça bombardeada de informações sobre o mundo desde quando eu nem tinha capacidade de entender porque elas deviam ser assim e, portanto, poder andar pela rua sem que a cada passo duvidasse da solidez do chão a ser pisado. Mas não estou.

Hoje me incomodam mais as marcas irremovíveis de cultura deixadas em minha cabeça que vão de encontro com minhas próprias convicções do que seria a dúvida da  solidez do chão.
Não é uma questão de não ter opinião própria, mas sim um esforço constante e irredutível de ter que reprimir os impulsos culturais da cabeça baseado nos julgamentos racionais da mente.

É você olhar para uma modelo e achar ela bonita do fundo do seu coração, mesmo sabendo que aquele estado não é saudável para qualquer corpo humano.
É, por pura possessividade e egocentrismo, se sentir ofendido e magoado por imaginar seu amor se relacionando com outra pessoa , mesmo sabendo que esses sentimentos envenenam sua alma e que ela está sendo feliz em fazer isso.
É você sentir vergonha de ficar nu mesmo sabendo que assim você veio ao mundo e viveu muitos momentos felizes na sua infância por estar assim.

Mas pior que tudo isso, não é essa luta constante com o lixo atolado em sua cabeça, mas sim a realização a cada dia da extrema dificuldade que é remover esse conhecimento embutido.

“É você se olhar no espelho
Se sentir um grandessíssimo idiota
Saber que é humano, ridículo
limitado, e que só usa dez por cento
de sua cabeça animal.”
Ouro de Tolo – Raul Seixas

Eu entendo que existem definições que apesar de infundadas são importantes e não fazem mal algum. Note que o vermelho é a cor do amor e graças estes tipos de definições  nós conseguimos interagir uns com os outros e sentir o mais variado ramo de sentimentos e , afinal, esse é um dos grandes objetivos da vida.

Eu não proclamo que as flores deixem de ser bonitas, nem que a pomba deixe de  ser o símbolo da paz, mas, simplesmente, que o certo deixe de ser errado.

Bio-casas

julho 6, 2010

Hoje eu vi um vídeo bem legal (valeu Flávio Medina! ^^) sobre um projeto de “biocasas”.
(O vídeo só é até 2:50)

Na verdade a ideia de bio-casas já existe a bastante tempo. Inclusive existe um projeto acontecendo no Capão sendo desenvolvido por uma artista plástico conhecido com “Caulêu” (=D) para a construção de uma Ecovila, que, basicamente, seria um conjunto de casas construídas com diversos aspectos de auto-sustentabilidade como a utilização de adobe (uma especie de tijolo porém feito de terra e outros elementos naturais), canteiros bio-sépticos (canteiros para depósito de lixo orgânico), sanitário seco, reaproveitamento de água das chuvas, etc.

Porém o que esse vídeo propõe é uma mudança muito maior. Ele traz a ideia de integração completa do nosso modelo de moradia ao ambiente. E o grande ponto nisso é que além de estarmos preservando o planeta, nós podemos aproveitar dos benefícios oferecidos pela natureza como por exemplo o processo de fotossíntese das plantas.

É claro que de antemão podemos perceber diversos problemas envolvidos na implantação desse projeto como o limite para o crescimento da casa e doenças que ela possa por ventura contrair (xD). Além disso ainda existem problemas com relação às necessidades básicas da casa como água e outros nutrientes que ainda são escassos em algumas regiões. Porém esses são problemas muito menores em relação ao que nós temos atualmente com nosso modelo de moradia e as vantagens agregadas a esse novo modelo são muito maiores.

Você já parou pra pensar que com uma casa de planta carnívora você nem precisa de repelente! Agora é bom tomar cuidado com as paredes…  =D

The Story of Stuff

junho 30, 2010

Há um certo tempo atrás você deve ter ouvido falar e provavelmente assistido o famoso vídeo que surgiu no Youtube chamado “The Story of Stuff” (A História das Coisas). Pois é, para os que não sabiam, assim como eu, esse vídeo fez tanto sucesso que se tornou um projeto de luta por uma solução para o atual estado de destruição do planeta e por um modelo econômico auto-sustentável. Além disso, eles criaram outras duas animações e alguns materiais com conteúdos abordados nos vídeos e muitas outras coisas. O projeto atualmente é suportado através de doações e ações voluntárias por pessoas de todo mundo. Se você é a favor de um planeta mais limpo e está insatisfeito com a sua atual condição de ócio colaborativo, esse é o momento!

The Story of Stuff Project

Validation

junho 30, 2010

Qualquer descrição que eu possa fazer será rasa demais para descrever o que eu vi nesse curta.
O melhor que eu posso fazer é: Genial!

Velho Lobo

junho 28, 2010

Ultimamente muitas coisas têm me incomodado.
Não por estarem ruins ou boas, mas por serem como são.
E sinto meu espirito jovem já muito cansado de criticar o seu mundo ao redor.

Já se passaram muitas batalhas e ao fim de cada uma delas não pude ver o que se ganhou ou o que realmente se perdeu.
Tudo sempre foi como correr numa esteira.
Nada mudava de lugar, só que ainda existia um propósito na corrida.

Mas agora o caminho muito já se encurtou e no lugar do horizonte infinito jaz uma muralha implacável de pedras.
Em alguns momentos ela é assustadora, noutros tranquilizante, mas na maior parte do tempo, simplesmente é.

Ainda assim, não consigo fechar os olhos da minha mente e aceitar o cansaço do meu espirito.
Já era a hora de saber a resposta para todas as coisas da vida ou pelo menos as respostas para a minha vida.
Quem sabe ao menos alguma resposta.

Pois é justamente essa falta de compreensão avassaladora que me bombeia de um sentimento de calmaria e consciência.
Quase como se fosse possível sentir a compreensão absoluta e entrar em equilíbrio com o universo.

Hahaha.

Talvez seja a idade.
Talvez eu esteja velho demais para o mundo…
Talvez ele esteja velho demais para mim.